28 de outubro de 2009

Reflexo

Ontem estávamos no carro eu, dirigindo, a Cecília, minha sobrinha de doze anos, ao meu lado e a Caroline, minha sobrinha de oito anos no banco de trás. Na rua ao lado da delegacia, quase chegando a um farol, ví um cara correndo como se fosse tirar a mãe da forca. Segurava o par de chinelos em uma das mãos e na outra a bermuda, que de certo estava larga. O que me chamou a atenção foi como ele corria desesperadamente a ponto de ouvir seus pés batendo no chão quente e pensei: Meu Deus esse cara tá com pressa! Parece o Usain Bolt! Mas logo em seguida vejo mais dois caras, correndo também, o primeiro segurava um oitão (pelo menos parecia ser) cromado, grande pacas, o segundo tinha o distintivo da polícia pendurado à cintura, tudo o que consegui fazer foi gritar para as crianças se abaixarem, meu primeiro reflexo.
Foi rápido, ficamos assustadas, mas a arma não chegou a ser apontada pra gente, ele a segurava virada pra baixo e corria, passando por trás do carro. Não sei o que aconteceu, quem era o corredor dos pés descalços, mas sei que completados três anos morando aqui nunca ví tantos crimes e roubos acontecendo. A violência cresce a cada dia e o contingente policial da cidade é ineficiente.
Quando se mora numa cidade do interior do Acre em que se tem acesso via terrestre durante apenas uns 4 meses por ano a sensação de segurança é diferente de quem mora no centro do RJ. Afinal, ou o cara vem aqui se esconder ou rouba e não tem pra onde levar.
Desde que mudei pra cá vejo pessoas deixando seus carros abertos, se não ligados e indo comprar o pão. Motos com chave na ignição e capacete enquanto seus donos tomam um refri. Isso está acabando, parece que descobriram o Acre. Descobriram que aqui o policiamento é deficiente, que a população não está acostumada com a criminalidade e que roubar pode ser fácil. Talvez o corredor seja o que roubou, na manhã de ontem, uma moto na porta de um colégio particular de ensino infantil. Digo talvez porque nos dois jornais existentes na cidade nada foi divulgado, será que ninguém viu o cara correr? Ou como eu viram e estavam sem o equipamento, ou com seus filhos no carro?
De qualquer maneira nosso comportamento mais relaxado e menos paranóico terá que mudar e voltar às raízes do Sudeste do país. Triste.

Um comentário:

  1. Olá... Cinthia,
    Isso é uma realidade em todo nosso Brasil;;
    Se sua cidade é tranquila,que bom,agradeça;;
    pois moro em Goiânia;;e aqui cada dia que passa tá mais violenta e perigosa;;em 24 hrs;chega a ter 7 homicídios;;sem falar das drogas né!!
    É muito complicado pois tenho um filho de 10 anos,e se eu começar a pensar na juventude dele,pensar como vai está o mundo daqui uns 10 anos;; eu enlouqueço!!
    Valeu ... Abraços!!

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